{"id":1460,"date":"2015-06-02T00:00:55","date_gmt":"2015-06-02T03:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/o-mercado-do-cedro-australiano\/"},"modified":"2018-07-27T16:25:45","modified_gmt":"2018-07-27T19:25:45","slug":"o-mercado-do-cedro-australiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/o-mercado-do-cedro-australiano\/","title":{"rendered":"O MERCADO DO CEDRO AUSTRALIANO"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]Ricardo S. Vilela &#8211; diretor da Bela Vista Florestal<\/p>\n<p>Ao falar em plantio florestal de madeira \u201cnobre\u201d, facilmente se identificam duas maneiras de ver o neg\u00f3cio; a c\u00e9tica e a otimista. Tentando trabalhar dentro da linha que separa as duas, a Bela Vista Florestal, uma das empresas pioneiras no setor, sempre foi cautelosa em suas proje\u00e7\u00f5es de produtividade da floresta e de pre\u00e7os de madeira, mas sempre teve certeza da aceita\u00e7\u00e3o por parte do mercado. Afinal, \u00e9 conhecida a qualidade do produto. No caso, a madeira do cedro australiano (<em>toona ciliata<\/em>).<\/p>\n<p>Nos primeiros 10 anos em que trabalhou com o cedro australiano, o foco da Bela Vista nunca foi o mercado, e sim o dom\u00ednio da tecnologia de produ\u00e7\u00e3o florestal. O cultivo das madeiras alternativas (cedro; mogno; guanandi; teca, e outras) \u00e9 relativamente novo no Brasil e carente de informa\u00e7\u00f5es sobre manejo, nutri\u00e7\u00e3o, pragas e doen\u00e7as. Al\u00e9m de trabalhar com uma base gen\u00e9tica sem diversidade e sem melhoramento. \u00c9 por esse motivo que, desde 2006 a BV se dedica \u00e0 pesquisa da esp\u00e9cie, baseada na importa\u00e7\u00e3o de sementes da Austr\u00e1lia para ampliar a base gen\u00e9tica, focando melhoramento gen\u00e9tico e clonagem, e tamb\u00e9m manejo florestal.\u00a0 Uma visita aos plantios da empresa, no munic\u00edpio de Campo Belo, Minas Gerais, mostra que o esfor\u00e7o e o investimento est\u00e3o valendo \u00e0 pena.<\/p>\n<p>Os plantios mais velhos da esp\u00e9cie, feitos com a semente comumente encontrada no mercado, apresentam produtividade at\u00e9 15m3 de madeira por hectare\/ano. Enquanto isso, os novos materiais gen\u00e9ticos desenvolvidos pela Bela Vista Florestal, apresentam produtividade at\u00e9 37m3 por hectare\/ano. Com esse novo patamar de produtividade e o conhecimento t\u00e9cnico de anos de pr\u00e1tica e pesquisa, podemos falar em mais de 300 m3 por hectare aos \u00a015 anos da floresta. A alta produtividade e seguran\u00e7a tecnol\u00f3gica alcan\u00e7ada permitiram que a empresa iniciasse plantios maiores em 2014, parte de um projeto muito mais ambicioso.<\/p>\n<p>Tendo assegurado essa meta, foi poss\u00edvel para parte da equipe direcionar a aten\u00e7\u00e3o para a venda de madeira, a partir de 2013. Mesmo com uma pequena \u00e1rea plantada (70 hectares), naquela data os talh\u00f5es mais velhos j\u00e1 estavam com 9 anos, e era necess\u00e1rio fazer o desbaste das \u00e1rvores, gerando madeira para comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como toda madeira tropical de alto valor origin\u00e1ria de floresta plantada \u00e9 novidade no pa\u00eds, o Cedro Australiano tamb\u00e9m teve que buscar seu lugar no mercado. A Bela Vista Florestal est\u00e1 hoje em fase avan\u00e7ada de prospec\u00e7\u00e3o desse mercado. Nesse processo, existem algumas caracter\u00edsticas a serem levadas em conta que s\u00e3o \u00f3bvias, mas outras nem tanto.<\/p>\n<p>O que todos sabem \u00e9 que a madeira \u00e9 est\u00e1vel, trabalh\u00e1vel, bonita, e deve ser destinada a produtos com maior valor agregado (PMVA). O que nem todo mundo sabe \u00e9 como fazer isso.<\/p>\n<p>Muito se fala em exporta\u00e7\u00e3o e cota\u00e7\u00e3o de madeira no mercado internacional, como se fosse uma transa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de executar e que paga mais que o mercado interno, principalmente com o d\u00f3lar acima de R$ 3,00. Ao tentar exportar, o produtor florestal ir\u00e1 se deparar com v\u00e1rios problemas. Alguns contorn\u00e1veis, outros n\u00e3o. O resultado \u00e9 a inviabilidade econ\u00f4mica do processo na maioria dos casos. Al\u00e9m da exig\u00eancias de qualidade e rastreabilidade dos clientes internacionais, existem quest\u00f5es como a defici\u00eancia de nossa infra estrutura (rodovi\u00e1ria, ferrovi\u00e1ria, alfandeg\u00e1ria e portu\u00e1ria) que gera atrasos e consequentemente aumento de custos. Como quantidade de produ\u00e7\u00e3o e escala, e a continuidade de fornecimento. Custa caro prospectar clientes no exterior e fechar um neg\u00f3cio, assim como todo o tr\u00e2mite e transporte do produto.\u00a0 E a cota\u00e7\u00e3o internacional da qual se fala, \u00e9 referente ao pre\u00e7o CIF da madeira. Portanto, antes de pensar nos milhares de d\u00f3lares de receita que gera um cont\u00eainer de madeira, \u00e9 preciso pensar no custo do mesmo para o produtor. Como tudo em agricultura, a madeira tem seu canal pr\u00f3prio de exporta\u00e7\u00e3o. E \u00a0isso n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia, mas uma imposi\u00e7\u00e3o de log\u00edstica, custos e escala.<\/p>\n<p>Por outro lado, o mercado brasileiro \u00e9 enorme e \u00e9 poss\u00edvel focar as vendas nele com sucesso. Apesar de uma crise econ\u00f4mica que ainda n\u00e3o mostrou toda a sua for\u00e7a, as perspectivas no longo prazo s\u00e3o encorajadoras; crescimento cont\u00ednuo do consumo per capita de madeira s\u00f3lida tropical, e a improbabilidade de conseguirmos suprir essa demanda com madeira de floresta plantada.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o com a madeira nativa n\u00e3o tira a viabilidade econ\u00f4mica do neg\u00f3cio. O cedro australiano tem produtividade e os plantios est\u00e3o mais pr\u00f3ximos dos centros consumidores. Com o tempo, devido \u00e0s press\u00f5es ambientais, a tend\u00eancia \u00e9 que apenas a madeira nativa proveniente de manejo florestal legal permane\u00e7a no mercado. Processo que encarece ainda mais o produto do \u00a0concorrente.<\/p>\n<p>A madeira de floresta nativa tamb\u00e9m \u00e9 uma boa diretriz para procurar clientes. No caso do cedro australiano, pode-se vender a madeira para consumidores de cedro rosa brasileiro (<em>cedrela fissilis<\/em>). O uso para as duas esp\u00e9cies \u00e9 muito parecido. Normalmente, a empresa que usa uma pode usar a outra, levando-se em conta que a madeira de nativa normalmente vem de plantas centen\u00e1rias, o que n\u00e3o ocorre com florestas plantadas.<\/p>\n<p>Mas como colocar essa madeira no mercado?<\/p>\n<p>O que a Bela Vista est\u00e1 descobrindo, \u00e9 que o mercado n\u00e3o quer mat\u00e9ria prima. Quer produtos. Em vez de vender toras de cedro, vale a pena trabalhar a madeira, por menos que seja. O mercado brasileiro de madeira serrada movimenta milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por ano. Tamb\u00e9m existe procura pelo cedro australiano para lamina\u00e7\u00e3o, esquadrias, acabamentos finos em constru\u00e7\u00e3o civil; portas; janelas; molduras; forros; movelaria e outros. Fica a escolha entre trabalhar e agregar mais ou menos valor, e consequentemente ter mais o menos custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A empresa montou a primeira serraria do pa\u00eds especializada em cedro australiano e produz madeira serrada e seca em estufa para um grupo seleto de clientes. Num primeiro momento houve breve resist\u00eancia ao novo produto, fruto do desconhecimento. Essa foi uma barreira f\u00e1cil de ser rompida atrav\u00e9s de estudos t\u00e9cnicos e amostras. O mercado est\u00e1 \u00e1vido por produtos de qualidade, de origem legal e sustent\u00e1vel, com padr\u00e3o e continuidade de fornecimento. E paga por isso valores que remuneram decentemente a atividade. Fica cada vez mais claro que a aceita\u00e7\u00e3o pelo mercado da madeira do cedro australiano \u00e9 tudo aquilo que foi previsto.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Ricardo S. Vilela &#8211; diretor da Bela Vista Florestal Ao falar em plantio florestal de madeira \u201cnobre\u201d, facilmente se identificam duas maneiras de ver o neg\u00f3cio; a c\u00e9tica e a otimista. Tentando trabalhar dentro da linha que separa as duas, a Bela Vista Florestal, uma das empresas pioneiras no setor, sempre foi cautelosa em suas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[49],"tags":[],"class_list":["post-1460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-articles","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1460"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1482,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460\/revisions\/1482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}