{"id":1471,"date":"2014-05-15T00:00:19","date_gmt":"2014-05-15T03:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/os-riscos-de-incendios-florestais-em-plantios-de-especies-nobres\/"},"modified":"2018-07-27T16:37:07","modified_gmt":"2018-07-27T19:37:07","slug":"os-riscos-de-incendios-florestais-em-plantios-de-especies-nobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/os-riscos-de-incendios-florestais-em-plantios-de-especies-nobres\/","title":{"rendered":"OS RISCOS DE INC\u00caNDIOS FLORESTAIS EM PLANTIOS DE ESP\u00c9CIES NOBRES"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<div class=\"noticia clearfix noticiaCategoria-Artigos\">\n<div class=\"descricao\">\n<div class=\"noticia clearfix noticiaCategoria-Artigos\">\n<div class=\"descricao\">\n<p>Eduardo Stehling, Bi\u00f3logo da Bela Vista Florestal.<\/p>\n<p>Como nos acidentes de transito, os inc\u00eandios florestais tamb\u00e9m podem ser evitados atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o. Quando tudo \u00e9 feito dentro da t\u00e9cnica, o risco \u00e9 minimizado e n\u00e3o existem preju\u00edzos. Entretanto est\u00e1 nem sempre \u00e9 a realidade do silvicultor iniciante que opta por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas para produ\u00e7\u00e3o de madeira para serraria.<\/p>\n<p>Este ano devido \u00e0 seca, inc\u00eandios florestais e urbanos j\u00e1 ocorreram no m\u00eas de fevereiro. Em um ano at\u00edpico como este, a preven\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios deve ser antecipada. A constru\u00e7\u00e3o de aceiros, limpeza dos plantios e identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas vulner\u00e1veis nas propriedades dever\u00e1 antecipar \u00e0 l\u00f3gica utilizada em anos de boa precipita\u00e7\u00e3o. A aquisi\u00e7\u00e3o de pulverizadores para combate \u00e0 inc\u00eandios, abafadores, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual e a cria\u00e7\u00e3o de um plano de a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o deve ser esquecidos. O treinamento pr\u00e9vio atrav\u00e9s de palestras e aulas tamb\u00e9m \u00e9 essencial na propriedade e junto aos vizinhos.<\/p>\n<p>Feitos os devidos alertas, o ponto central deste texto tem que ser claro: \u201cEm floresta n\u00e3o pode haver inc\u00eandio, independente da esp\u00e9cie\u201d. Todos sabemos que o inc\u00eandios trazem danos \u00e0 esp\u00e9cie cultivada e preju\u00edzos ao produtor. \u00c9 sabido que o fogo causa redu\u00e7\u00e3o e atrasos na produ\u00e7\u00e3o estimada, e em casos extremos, a mortalidade total das plantas de um estande. No solo, ele cria uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas. A redu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica e carbono, a elimina\u00e7\u00e3o da fauna e microbiota locais e o aumento do risco de eros\u00f5es s\u00e3o talvez as mais importantes. Os inc\u00eandios tamb\u00e9m alteram a composi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o local ap\u00f3s sua ocorr\u00eancia, por expor o banco de sementes do solo. Todo o ecossistema local \u00e9 afetado.<\/p>\n<p>Quando passamos a considerar inc\u00eandios florestais em plantios de esp\u00e9cies nobres, outros aspectos e desdobramentos devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o. Por serem culturas de maior custo de implanta\u00e7\u00e3o e onde se espera maior rentabilidade, os cuidados na preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios devem ser dobrados. Neste ponto cabe um alerta ao silvicultor iniciante, parcela expressiva deste segmento e que nem sempre est\u00e1 preparado para lidar com as adversidades do campo.<\/p>\n<p>A falta de conhecimento sobre o comportamento das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas com rela\u00e7\u00e3o ao fogo tamb\u00e9m \u00e9 preocupante dentro deste cen\u00e1rio. N\u00e3o sabemos quais esp\u00e9cies s\u00e3o mais sens\u00edveis ou resistentes ao fogo, por isso n\u00e3o se leva em conta usar determinada esp\u00e9cie considerando o risco real de inc\u00eandio de uma \u00e1rea.<\/p>\n<p>A morfologia e a fisiologia da esp\u00e9cie tem papel fundamental no comportamento desta frente o fogo. A espessura da casca assim como as subst\u00e2ncias que a comp\u00f5e s\u00e3o fundamentais na prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore, sendo diretamente influenciadas pela idade da planta. O bioma de origem e sua hist\u00f3ria evolutiva atuam como indicadores do comportamento de uma esp\u00e9cie \u00e0 presen\u00e7a do fogo sugerindo a presen\u00e7a de resist\u00eancia. A dura\u00e7\u00e3o, a intensidade e a frequ\u00eancia do fogo tamb\u00e9m devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o. Muitas vezes a esp\u00e9cie tolera alguma chama pouco intensa e de curta dura\u00e7\u00e3o em sua base, mas quando existe periodicidade, intensidade ou longa dura\u00e7\u00e3o, grandes danos podem ocorrer.<\/p>\n<p>Entre as causas mais comuns de mortalidade de \u00e1rvores por inc\u00eandios est\u00e3o a interrup\u00e7\u00e3o da seiva elaborada conduzida nos feixes do floema (presentes na casca) e a supress\u00e3o de copa, seja por combust\u00e3o, calor excessivo ou falta de seiva, em todos os casos interrompendo a fotoss\u00edntese. \u00a0Nos casos em que as plantas sobrevivem, as esp\u00e9cies que fazem associa\u00e7\u00f5es com micro-organismos para melhorar o uso de nutrientes s\u00e3o muito afetadas devido \u00e0 morte destes.<\/p>\n<p>\u00c9 muito comum a infesta\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores afetadas pelo fogo por insetos broqueadores, sendo normalmente besouros (coleobrocas). Isto ocorre devido ao estimulo da fuma\u00e7a e muitas vezes devido \u00e0 emiss\u00e3o de sinais qu\u00edmicos pelas plantas afetadas, atraindo os broqueadores. Com a casca afetada, cerne e alburno expostos, a \u00e1rvore \u00e9 uma porta aberta para insetos e fungos de todos tipos. Muitas vezes dependendo da esp\u00e9cie, as \u00e1rvores afetadas nunca se recuperam dos danos causados pelo fogo e acabam morrendo devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Com o objetivo de exemplificar o que j\u00e1 foi dito, farei um estudo de 2 casos de inc\u00eandios florestais de curta dura\u00e7\u00e3o na cultura do cedro australiano. Com 6 e 4 anos respectivamente, o primeiro caso ocorreu em agosto de 2010 em uma pequena \u00e1rea plana, pulando de um valo para a bordadura e o outro em fevereiro deste ano, com o fogo passando do pasto do vizinho para a \u00e1rea plantada em um morro. Em ambos os casos havia pouca cobertura vegetal, a braquearia estava seca, com pouca umidade e os inc\u00eandios foram criminosos. Diferentemente do eucalipto que tolera pequenos inc\u00eandios, as plantas de cedro australiano atingidas sentiram bastante com a a\u00e7\u00e3o do fogo sendo que as duas situa\u00e7\u00f5es evolu\u00edram de forma bem semelhante. A casca afetada mudou de colora\u00e7\u00e3o, sendo que at\u00e9 a semana seguinte as copas de quase todas as \u00e1rvores j\u00e1 haviam secado e perdido a folhas. Isto ocorreu principalmente devido a interrup\u00e7\u00e3o da seiva e n\u00e3o apenas pelo calor gerado pelo inc\u00eandio. Com menos de um m\u00eas ap\u00f3s o ocorrido a casca afetada separou-se da \u00e1rvore, surgindo rachaduras verticais que deixaram a mostra o lenho da planta. A sucess\u00e3o dos fatos ocorre com a chegada de coleobrocas presentes nos biomas locais, e como verificado no inc\u00eandio de 2010 a posterior entrada de fungos apodrecedores de madeira.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que independente da esp\u00e9cie cultivada inc\u00eandios florestais n\u00e3o podem ocorrer em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o. Quando a cultura em quest\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica para produ\u00e7\u00e3o de madeira para serraria, os riscos aumentam consideravelmente devido ao grande investimento e a falta de conhecimento sobre a cultura. Se voc\u00ea \u00e9 um silvicultor iniciante ou experiente, lembre-se: o melhor a se fazer \u00e9 ajudar na preven\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Eduardo Stehling, Bi\u00f3logo da Bela Vista Florestal. 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