{"id":1530,"date":"2014-02-01T00:00:02","date_gmt":"2014-02-01T03:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/porque-plantar-especies-alternativas-artigo-revista-da-madeira-fev-2015\/"},"modified":"2018-07-27T17:02:03","modified_gmt":"2018-07-27T20:02:03","slug":"porque-plantar-especies-alternativas-artigo-revista-da-madeira-fev-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/belavistaflorestal.com.br\/en\/porque-plantar-especies-alternativas-artigo-revista-da-madeira-fev-2015\/","title":{"rendered":"PORQUE PLANTAR ESP\u00c9CIES ALTERNATIVAS &#8211; ARTIGO REVISTA DA MADEIRA &#8211; FEV\/2015"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]Porque plantar esp\u00e9cies alternativas?<\/p>\n<p>Via de regra essa resposta passa pelo argumento do alto pre\u00e7o da madeira que gera uma alta taxa de retorno no projeto florestal.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cies florestais alternativas, ou esp\u00e9cies tropicais de alto valor, como cedro australiano, mogno africano, guanandi, teca e outras, realmente conseguem valores em sua madeira bem maiores que esp\u00e9cies tradicionais como pinus e eucalipto. Mas ser\u00e1 esse fator suficiente para o investidor escolher esse tipo de empreendimento? N\u00f3s da Bela Vista Florestal entendemos que n\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 15 anos no setor, a Bela Vista \u00e9 hoje s\u00f3cia e gestora de mais de 7.000 hectares de florestas de eucalipto em Minas Gerais. Em 2015 estamos finalizando uma transi\u00e7\u00e3o; daqui em diante nossos plantios se concentrar\u00e3o no cedro australiano (toona ciliata). O ponto em que estamos \u00e9 mais uma etapa de um longo processo, que se iniciou em 2002, quando iniciamos nossos trabalhos com essa cultura.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de centrar esfor\u00e7os em uma esp\u00e9cie que pode melhorar a lucratividade do neg\u00f3cio, levou em considera\u00e7\u00e3o os pr\u00f3s e tamb\u00e9m os contras que est\u00e3o tirando o sono de muito empres\u00e1rio nesse pa\u00eds.\u00a0Fatores como estagna\u00e7\u00e3o da economia, alto custo de produ\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a jur\u00eddica, falta de infraestrutura, encargos trabalhistas, escassez de m\u00e3o de obra no campo e a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, a dificuldade e morosidade para se resolver quest\u00f5es ambientais, e outros tantos que estamos cansados de enfrentar.\u00a0A maioria dos problemas mencionados \u00e9 comum \u00e0 todos os setores e \u00e9 nesse cen\u00e1rio que temos que pensar nossos projetos. Principalmente os florestais, que t\u00eam um longo prazo de retorno.<\/p>\n<p>Frequentemente ouvimos que agregar valor industrializando o produto e ganhar escala s\u00e3o a resposta. Concordo com isso em parte. Ganhar escala nem sempre \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mesmo porque os melhores sites no pa\u00eds j\u00e1 est\u00e3o ocupados e o custo da terra passa a inviabilizar o neg\u00f3cio. E agregar valor processando a madeira, num momento em que a atividade industrial \u00e9 mais castigada que o agroneg\u00f3cio, pode n\u00e3o ser uma boa ideia.\u00a0Das vari\u00e1veis que podemos controlar, a escolha da esp\u00e9cie a ser cultivada \u00e9 uma das mais promissoras para aumentar a lucratividade do neg\u00f3cio, desde que observadas algumas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Bela Vista Florestal, desde 2002 investimos no Cedro Australiano (<em>Toona ciliata<\/em>). Nesses 12 anos, trabalhamos com um risco friamente calculado, sempre direcionado pelas seguintes premissas, que valem para qualquer \u201cesp\u00e9cie alternativa\u201d:<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0 A seguran\u00e7a tecnol\u00f3gica \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies tropicais de alto valor (ou madeira nobre, ou madeira alternativa, ou como quiser chamar) n\u00e3o s\u00e3o culturas dominadas, como o eucalipto ou o pinus. Em sua maioria precisam de pesquisa para que representem menos risco para o produtor. No caso do cedro australiano, parcerias entre empresa e institui\u00e7\u00f5es como a Universidade Federal de Lavras \u2013 UFLA, a Universidade Federal de Vi\u00e7osa \u2013 UFV e o IFMG, v\u00eam gerando desde 2006 informa\u00e7\u00f5es sobre implanta\u00e7\u00e3o e manejo da floresta, nutri\u00e7\u00e3o, qualidade da madeira e melhoramento gen\u00e9tico, em quantidade e qualidade suficiente. Recentemente, a cultura no Brasil foi avaliada como risco m\u00e9dio\/baixo pelo \u00f3rg\u00e3o franc\u00eas ONF &#8211; Office National des For\u00eats.<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0 A madeira deve ser de \u00f3tima qualidade para os usos a que for destinada.<\/p>\n<p>A madeira a ser produzida n\u00e3o ser\u00e1 adequada para todos os tipos de uso. Nem precisa ser. O importante \u00e9 saber onde essa madeira vai se encaixar no mercado brasileiro. Em nosso caso, ter uma esp\u00e9cie nativa (cedro rosa) cuja madeira \u00e9 bastante similar, \u00e9 uma vantagem. Entramos com o produto no lugar de uma esp\u00e9cie vers\u00e1til e muito procurada, com seu mercado estabelecido, que est\u00e1 cada vez mais cara e escassa.<\/p>\n<p>3)\u00a0\u00a0 A aceita\u00e7\u00e3o do produto pelo mercado depende de certifica\u00e7\u00e3o de origem; padr\u00e3o de qualidade e continuidade de fornecimento.<\/p>\n<p>O cliente precisa poder contar com seu produto, seja em grande ou pequena quantidade. \u00c9 importante buscar, conquistar e fidelizar aquele comprador que voc\u00ea conseguir\u00e1 atender durante muito tempo. No prazo, cumprindo com um padr\u00e3o de qualidade previamente acertado, sempre. Como se trata de floresta plantada, obter certificado de origem n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil. O que estamos percebendo de forma clara, \u00e9 que o mercado est\u00e1 carente de fornecedores que apresentem todas as caracter\u00edsticas acima.<\/p>\n<p>4)\u00a0\u00a0 O mercado externo s\u00f3 \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para quem tem grande volume de madeira.<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00f5es internacionais de madeira s\u00e3o constantemente usadas como argumentos para se plantar essa ou aquela esp\u00e9cie. Nesse aspecto, algumas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o levadas em conta. Primeiro; essa cota\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 madeira de \u00e1rvores centen\u00e1rias, que n\u00e3o t\u00eam as mesmas caracter\u00edsticas de plantios de 15 anos de idade. Segundo; essa op\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel para quem tiver um produto que, al\u00e9m de todas as caracter\u00edsticas mencionadas anteriormente, tiver muito volume. Al\u00e9m de ser um processo mais complexo, a falta de infraestrutura brasileira aumenta os custos de exporta\u00e7\u00e3o.\u00a0 Por outro lado, apesar de n\u00e3o refletir o pre\u00e7o internacional, o mercado interno tem enorme demanda por madeira serrada. Como exemplo, o eucalipto aumenta sua participa\u00e7\u00e3o nesse segmento numa taxa superior a 20% ao ano, apesar das limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de sua madeira.<\/p>\n<p>5)\u00a0\u00a0 A produtividade deve justificar a escolha da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A produtividade da esp\u00e9cie deve ser levada em conta junto com o valor da madeira. Se existe algum risco no cultivo de determinada esp\u00e9cie, este deve ser compensado financeiramente. V\u00e1rias empresas e produtores dizem que a madeira dessa ou daquela esp\u00e9cie vale no mercado cerca de R$ 2.000,00 por metro c\u00fabico serrado. Um n\u00famero que parece ter sido adotado como padr\u00e3o. Pode ser verdade, mas qual \u00e9 a quantidade de madeira a ser produzida com esse valor? Volto a comparar com o eucalipto. Este uma cultura dominada, com baixo risco em seu cultivo. Sua madeira serrada pode ser vendida a partir de R$ 500,00\/m3 e sua produtividade alcan\u00e7a tranquilamente 40m3 por hectare\/ano. A escolha de outra esp\u00e9cie tem que passar pelo teste de produtividade vezes valor de venda, subtraindo o fator risco.<\/p>\n<p>6)\u00a0 \u00c9 preciso trabalhar com n\u00fameros e expectativas reais!<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 preciso trabalhar com n\u00fameros fact\u00edveis. N\u00e3o d\u00e1 para entender a conta de produtores e empresas que esperam receita superior a R$ 500.000,00 por hectare, ap\u00f3s cerca de 15 anos de investimento. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio apresentar n\u00fameros irreais para que a atividade se torne atrativa financeiramente.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Porque plantar esp\u00e9cies alternativas? Via de regra essa resposta passa pelo argumento do alto pre\u00e7o da madeira que gera uma alta taxa de retorno no projeto florestal. 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