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SISTEMAS SILVIPASTORIS COM CEDRO AUSTRALIANO EM PROPRIEDADES RURAIS

SISTEMAS SILVIPASTORIS COM CEDRO AUSTRALIANO EM PROPRIEDADES RURAIS

Eduardo Stehling, biólogo e pesquisador da Bela Vista Florestal.

(Faça o Downloa do arquivo em pdf abaixo.)

A introdução de espécies florestais em uma propriedade não é apenas uma decisão econômica. Diversos fatores devem ser considerados. Entre estes fatores estão a disponibilidade de mão de obra, a topografia, a aptidão da região, a imobilização da área escolhida durante os anos de produção, além de componentes culturais que devem ser levados em conta. Se a propriedade já tem uma atividade agrícola ou pecuária, a dúvida tende a ser maior, pois apesar de ter a ciência de que a atividade florestal possa ser mais rentável, muitas vezes o proprietário simplesmente gosta do que faz, seja agricultura ou pecuária.

Há, no entanto, formas de se implantar na mesma propriedade, espécies florestais junto à agricultura e ou pecuária. A forma mais comum é através de consórcios, ou sistemas agro-florestais.

As vantagens dos sistemas agro-florestais já são bastante conhecidas. Ao consorciar agricultura com plantios florestais é feita uma melhor ocupação da área, um uso mais eficiente e racional dos recursos naturais, um bom controle de erosão do solo, a redução das variações microclimáticas e consequentemente a redução de riscos de perda de produção. Também há melhor distribuição da mão-de-obra e diminuição do controle de plantas invasoras.

Quando comparado ao plantio florestal tradicional, o consórcio traz antecipação de receita, variedade de produtos e redução dos custos da implantação florestal.

No caso dos sistemas silvipastoris, estudos indicam que os benefícios trazidos pelas árvores para a atividade pecuária estão relacionados ao sombreamento e amenização do clima para os animais e à melhoria nutricional das pastagens, causada pela reciclagem de nutrientes no solo. Estas são feitas pelas árvores, a partir do momento que começa a desrama natural, gerando uma considerável melhoria nas condições físicas, químicas e biológicas do solo. Entre os principais benefícios estão a ampliação da estação de pastejo, o aumento da taxa de reprodução das matrizes e do índice de sobrevivência de bezerros, assim como o aumento do ganho de peso e de produção de leite.

Quando o consórcio é realizado com outras espécies vegetais, a espécie florestal se beneficia dos tratos da cultura principal, obtendo maior desenvolvimento e aumentando a lucratividade na área de produção.

A maioria das espécies florestais trazem todos os benefícios citados, mas a seleção da espécie correta para a área de interesse é uma oportunidade para otimizar a rentabilidade do consórcio. A produção de madeira para serraria é indicada devido ao maior valor agregado do produto.

Neste contexto, o cedro australiano se destaca por ser uma árvore de porte inferior ao eucalipto, agir como barreira de vento criando menor sombreamento, pelo fato de já existirem clones de alta produtividade desta espécie e pela boa rentabilidade.

Existem várias possibilidades para a implantação do cedro australiano sozinho ou em sistemas agrosilvipastoris. Identificar áreas subutilizadas ou não utilizadas na propriedade é o primeiro passo. Áreas que já possuem sistemas de irrigação como entornos de pivô central, café irrigado ou outras culturas podem ampliar ainda mais os ganhos. O consórcio com o café em áreas não irrigadas também é uma excelente opção, pois a nutrição do cedro é semelhante à do café, o que permite que com o mesmo manejo as duas espécies apresentem excelente desenvolvimento, com vantagens para ambas as culturas. O plantio, a recepa e o esqueletamento são os melhores momentos para a implantação.

No caso de sistemas silvipastoris, é importante adotar um espaçamento adequado e remover os animais na fase de implantação para bom estabelecimento das árvores.

A escolha das espécies adequadas para cada tipo de solo e clima é fundamental na hora de plantar. É importante também lembrar que mesmo em sistemas agrosilvipastoris, para se ter sucesso com as espécies escolhidas, não podem faltar os tratos culturais mínimos para que ocorram a produtividade e rentabilidade esperadas. Cada peça desempenhando seu papel, visando melhoria da área, produtividade e maior rentabilidade no campo.

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